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Sopro.

Falam-nos que a vida é um sopro. Que tudo é efémero. Mas ninguém nos fala sobre a sua intensidade. Ninguém nos diz se a vida é um sopro de duas velas ou de pós maratona. 
Limitam-se a dizer-nos e a falar-nos da sua duração: curta, breve e passageira.
Dou por mim a pensar se o meu sopro é forte o suficiente. Se valho a pena; se me vale a pena tudo o que neste sopro existe implicado. 
A verdade é que nada é garantido, isso vocês já sabem. Num dia acordamos com os pulmões lavados e no outro mal subimos um vão de escadas. 
Mesmo de noite, quando me deito e sou sugada pelos meus pensamentos e falta de lucidez, só peço que venha uma brisa fresca que me obrigue a inspirar e a ter forças para respirar de novo.
Podemos acreditar que tudo o que acontece, acontece por um motivo e com uma razão. Mas nem sempre é fácil fazê-lo. E nessa alturas temos de soprar, calma e vagarosamente, como que a pedir à vida que nos ensine esta forma de aceitar as coisas. Nem sempre precisas de conseguir, mas terás sempre de o aceitar.
E é nesta lição que começas a distinguir o que as pessoas te dizem. É nesta altura que ganhas uma sabedoria que te faz parar, fechar os olhos e respirar fundo.
A vida é um sopro.

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