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A mostrar mensagens de outubro 25, 2015

O ar da noite.

Decidiu respirar o ar da noite. Não aquele ar contaminado das sextas e sábados, em que o álcool se funde com tantos fumos de tantas coisas que se acaba sugado pela insanidade adentro, perdidos no meio de pessoas que não se conhece e agarrados a sons dos quais nem sequer se gosta. Decidiu respirar aquele ar de cidade numa terça-feira à noite. Cidade adormecida, mole, quase que apagada. Saíu de casa e tirou trinta minutos para ela mesma. Andou sozinha: casaco grosso e chaves de casa no bolso. Sem destino, a apreciar o que ainda não tinha conhecido mas que já muitas vezes tinha visto. Trilhou uns quinhentos metros a passo vagaroso, respirando fundo de vez em quando, enquanto deixava o vento fresco fazer o seu trabalho de purificação. - "Há falta de momentos assim." - pensou ela. "Daqueles momentos em que precisas de ti." Ela não é inerte ao mundo forrado lá de fora, mas muitas vezes esquece-se que o ar fresco, a lua, as paredes das casas adormecidas e...