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Eclipse.

A lua ganhou coragem para enfrentar os seus medos.
A solidão consumia-a: um sentimento que a comia de dentro para fora. Não havia nenhum espetáculo que lhe enchesse a alma. Não havia estrelas suficientes que a fizessem sentir completa. A importância de ter de brilhar sozinha, à noite, era um peso que a acorrentava, cada vez mais, ao sonho de poder estar com ele.
O sol - mais forte, mais nobre, mais imponente e mais grandioso que qualquer outro astro, planeta, satélite.
Era um amor quase proibido.
Ela não percebia... Mas ele sabia.

Ela não percebia porque é que não podiam estar juntos. Mas ele sabia que, sempre que ela brilhava, era ele que lhe dava forças para isso.
Ela não percebia porque é só à noite é que era sentida. Mas ele sabia que durante o dia também era vista, muitas mais vezes das que ela podia sequer imaginar.
Ela não percebia porque é que tinham de estar sempre tão afastados. Mas ele sabia que, mais tarde ou mais cedo, acabariam por se alinhar.

Ela, muitas vezes, não percebia. E nessas alturas ele dizia-lhe:
- "Qualquer que seja a fase em que te encontres, qualquer que seja o lado que eu te ilumine... Haverá sempre eclipses por acontecer."

E ela, sempre que o ouvia, sabia:
- "O importante não são as alturas em que estamos afastados. O importante é saber que haverá alturas em que estaremos juntos."



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