A vida nem sempre se apresenta da mesma forma. Há dias em que mal colocamos os pés fora da cama, o chão nos espeta os pés e obriga-nos a querer arrancar cada espinho à dentada. O céu cinzento espreita com os olhos cerrados pela janela do quarto e a vontade de querer sair de casa fica deitada por baixo das mantas, a fazer ronha e a fingir que ainda dorme.
Nem sempre nos sentimos preparados para ver pessoas e eu, nos últimos tempos, sinto-me cada vez mais absorvida pela impaciência que se vive lá fora.
Já cheguei a dizer várias vezes que as odeio, mas acho que esse extremismo se deve àqueles dias escuros, até porque sempre achei esse verbo demasiado forte. Na realidade não as odeio. Só desgosto. E é só às vezes.
Cada um é como cada qual. Não podemos atirar a frustração, o negativismo, a intolerância e muito menos a ignorância e estupidez para cima dos outros, como se tivéssemos comido um rissol estragado e não conseguíssemos conter o vómito. Esse tipo de sentimento tem de ser restrito. Contido. Não peço que sejam cínicos e finjam estar bem quando não estão, até porque nem todos têm essa capacidade. Eu não tenho! Sou mais transparente do que gostaria... Apenas peço que não saiam à rua com os pés picados e passem o dia inteiro a culparem-se uns aos outros por isso. Os maus sentimentos não se devem contagiar: são tóxicos e envenenam-nos. E o mundo lá fora está cheio de noites mal dormidas e de pessoas impacientes.
Cabe-nos a nós saber aquilo que queremos. E principalmente, cabe-nos a nós ter a noção de que o ser humano tem a excelente capacidade de atribuir diferentes graus de importância às coisas.
E se o rissol estiver estragado, da próxima vez podemos sempre optar por croquetes!
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