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Desculpa lá, tá?

Não é costume.
Raramente pedimos desculpa argumentando que tínhamos planeado errar. Um pedido de desculpas vem sempre acompanhado de arrependimento. Pelo menos assim deveria ser.
Mas não nos podemos agarrar a essa âncora de que um pedido de desculpas resolve tudo. Porque não resolve.
O facto de nos sentirmos arrependidos só nos diz, pura e simplesmente, que se fosse agora, faríamos as coisas de maneira diferente. Mas nunca, em momento algum, nos garante que se o momento se repetisse, naquela altura, naquele instante exato, agiríamos de outra forma.
E isso faz-me uma certa confusão, sabes?
Eu sempre defendi que as atitudes ficam com quem as toma. E admito aqui que já se soltaram arrependimentos em forma de desculpas, naquelas noites em que a minha almofada se sentia mais pesada. 
Mas será perdão apelido de perdoa-me?! Chego então ao foco da minha questão.
É preciso ter-se consciência de que aquele aperto no peito que dança com o "foda-se, não devia ter feito aquilo", não obriga, nunca e em nada, a que a outra parte perdoe. O arrependimento vem sempre, e sempre mal acompanhado, de egoísmo. Raramente pedimos desculpa argumentando que tínhamos planeado errar. Mas mesmo depois de termos errado, só pensamos que um pedido de desculpas basta porque já nos mostrámos arrependidos, e isso, supostamente, é suficiente. Mas não é! Suficiente (e digo suficiente sendo suficientemente pouco) é pararmos para pensar que, naquela altura, naquele exato instante, a outra parte sofreu. A outra parte que a nada deveria estar ancorada, teve de ser forçada a sentir no peito aquele aperto, sem que nenhuma dança o acompanhasse. Aquela outra parte que culpa nenhuma tem no delay super retardado de consciência a que um "momento de arrependimento" se sujeita.

Errar é humano. Perdoar é divino. Mas cá em baixo, santos é coisa que não existe. Só de nome. E mesmo assim...

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