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Um amo-te especial

Sempre defendi que os meus sentimentos falam mais quando se sentem em baixo. Acho que já arranjei justificação para isso...
Sempre fui uma pessoa calada. Não quero enganar ninguém; mas só eu sei como me custa confiar o que sinto a outro alguém. E talvez seja esse o motivo que me leva a pegar na caneta sempre que me sinto triste. Uma folha branca, disposta a ouvir-me e a tornar-se cúmplice da minha tinta, sempre foi a minha melhor amiga.
É precisamente por isso que não tenho escrito. Não me tenho sentido triste, nem sozinha, nem com vontade de desabafar.
O Daniel tem esse poder sobre a minha rotina; sobre a minha vida. Sobre mim.
Deixa-me sem vontade de perder tempo agarrada às linhas do caderno. Nem há necessidade disso...
Para quê perder tempo a esboçar-me em palavras quando o meu reflexo só passa por ti?
Em vinte e três anos de vida, nunca me senti tão calma e tranquila ao ver-me refletida noutra pessoa. E mesmo tão iguais, os opostos sempre se atraem: somos como duas peças. Uma branca: extrovertida, barulhenta, irrequieta; e outra preta: reconfortante, serena, confiante. Somos duas peças completa e distintamente diferentes, que juntas se tornam, irreversivelmente, no cinzento mais equilibrado de qualquer paleta artística.
É isso que nós somos. E melhor ainda, é assim que nos sentimos: uma verdadeira obra-prima.
Por isto tudo e muito mais:

Obrigada. Um amo-te especial para a melhor parte da minha vida. 

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