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Obrigada tempo!

Quem me conhece, e quem conhece o rumo da minha escrita, sabe que as minhas frases, desde os primórdios da criação do meu fotolog até o momento presente, têm mudado. Os temas têm-se alterado. No início, e falo-vos há cerca de quatro anos atrás, os meus textos refletiam os meus sentimentos mais incorrespondidos. Talvez por não os conseguir transmitir a quem devesse, fazia questão de os transmitir a quem se submetesse a ouvir-me. Confesso que uma folha branca, tanto virtual como material, sempre foi a minha melhor amiga: sempre atenta e pré-disposta a aceitar todas as minhas lamurias. Sou livre ao ponto de poder escrever tudo o que me vai no pensamento, sem ter algemas ou coletes de força que me façam pensar se devo ou não dizê-lo. Não existe uma forma mais ou menos correta de dizermos o que nos vai na alma, e é por isso que o dizemos sem medos de ferir quaisquer tipos de susceptibilidades.  
Mas dizia eu que as minhas páginas de diário têm seguido caminhos diferentes. Ultimamente já não escrevo tanto sobre homens, sobre amores, sobre dissabores. Perdi o rasto desses capítulos desde que comecei a namorar com o Bruno. E não digo isto com o propósito de vos fazer pensar que esses temas já não se encaixam nos meus títulos. A verdade é que quando sabemos que o destinatário a quem dirigimos as nossas palavras lê o nosso blog, não sentimos a necessidade de perder tempo a escrever tudo aquilo que lhe podemos dizer pessoalmente. E há quatro anos isso não era possível: não por falta de oportunidade de falar diretamente com o Miguel, porque podia, mas porque dezoito anos não se comparam a vinte e dois.
O tempo para mim mudou drasticamente. A partir deste momento Fevereiro vai custar menos a passar que Janeiro. Não acreditei quando me disseram que a partir dos vinte o tempo ia passar por mim a correr como se fosse alcançar a meta. Não acreditei ou não quis acreditar, até porque não é a primeira vez que a experiência me espeta com um "eu bem te avisei!", enquanto me dá chapadinhas nas costas. Continuo a escrever sobre amor, claro! Haverá sempre uma oportunidade ou um cansaço mais extremo que me leve a depositar nestas letras o meu sofrimento ou um simples desabafo. Mas o tempo não passa só por passar. Deixa sempre connosco alguma aprendizagem. E é por isso que as minhas linhas se vão moldando à medida da minha vida: porque já não escrevo lágrimas nem desesperos. Escrevo memórias que mais tarde me façam pensar "Obrigada tempo, por me teres ensinado!"

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