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Palavras salgadas.

Os dentes rangem, as artérias incham, os olhos choram e a serenidade despeja-se na sanita, juntamente com a lógica de querermos estar bem quando gritamos a pulmões cheios tudo o que não nos permite estar.
Já me questionei muitas vezes sobre qual o sentimento que mais me perturba e nunca soube dar uma resposta certa. Não existem respostas certas nesta coisa da vida, mas chego sempre ao clímax do arrependimento quando não posso e nem consigo vomitar o que já engoli. E é este o poder da palavra: forte, inapagável, soberano, quase indigesto quando as palavras saem demasiado ácidas ou salgadas. Sempre me disseram que é preferível servir a comida insossa, mas às vezes ainda me custa usar as quantidades certas... 

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Imagina.

Do que é que te serve? És tanto ou mais, ou menos, que todos os outros. Pensas que já viveste demasiado, mas nem metade do que sentes corresponde a um quarto do que sabes. E ela é igual a ti: sempre dona da razão, sabichona em todos os momentos em que não te deixa voar e aterra-te os pés no chão. Talvez seja por isso que os vossos mundos combinam. Porque ela acredita que o teu lugar é ao pé do dela, e tu porque nem sequer teimas em dizer que não. São tão fortes, os dois. Ela é tão forte, contigo. E tu tão forte, com ela. Imagina o que seria se ambos se perdessem. Imagina o terrível fim que teria a vossa história se, num dia destes, algum de vocês entendesse que afinal o lugar certo não era aqui.... Do que é que te servia?

Não se cansa de me pregar partidas

Estou constantemente a dizer, e com medo de me tornar repetitiva, torno a fazê-lo: as melhores coisas só nos acontecem quando menos estamos à espera. Acredito piamente que esta realidade dá um enorme encanto à vida. Não se deixem enganar: não existe nenhum detetive a perseguir-nos atentamente, a ver quando desviamos o olhar, para poder dar ordem a um superior: "Agora! Atira-lhe com qualquer coisa boa que ela está distraída". O facto é simples e todos nós o conhecemos. É quando baixamos a guarda, quando deixamos de elevar as nossas expectativas, quando nos permitimos a aceitar que nem tudo o que vem à rede é peixe.. É precisamente nessa altura que pescamos. Deixamos de andar cabisbaixos a pensar que nada na vida nos surpreenderá e passamos a erguer a cabeça e a apreciar cada momento. É imperativo trocar as desilusões pelas surpresas.  Tal e qual como quando fazia um teste de matemática: saía da sala com o Miguel com a sabedoria de que tinha corrido bem. Então eu pergunta...

A mesma coisa.

Tenho sede de ti. Os dias têm pouco tempo para o meu amor caber todo lá dentro. E tu fazes de propósito! Fazes, eu sei que fazes... Não me deixas nem mais um bocadinho de ti hoje, só para que amanhã eu continue a procurar ter-te, tocar-te, beber-te. Gostas de me ver sofrer de tanto amor. E é por isso que te deitas todos os dias ao meu lado, com tanto ou mais desejo quanto as tuas costas, os teus ombros e as tuas mãos conseguem carregar. Deitas-te ali, simplesmente, à espera que eu adormeça e que os meus suspiros entrem pela tua boca e me possas encurralar com a tua alma para sempre. És mais forte que eu. Mas finges que não. E para o disfarçares, em vez de me dizeres "Proíbo-te de saíres da minha vida", dizes antes "Amo-te". O que para mim é praticamente a mesma coisa.